Os jovens estão colocando suas saúdes em risco ao praticar uma nova “moda”: inalar o pó do corretivo – material escolar feito para encobrir os erros feitos à caneta. A nova onda é fazer uma alusão ao “cheirar uma carreira de cocaína”, o que vem preocupando pais e professores de todo o Brasil. A maioria dos corretores líquidos contém óxido de titânio, responsável pela cor branca, e etanol, que funciona como um solvente, o que garante a secagem rápida do produto.

 A atitude coloca em risco a saúde, podendo levar a danos na mucosa do nariz, sangramentos, agravar quadros de rinite e sinusite, causar intoxicações graves e problemas cardíacos – tanto que os fabricantes incluíram na formulação um aroma mais desagradável ao produto para que a prática não tivesse continuidade. De acordo com Dr. Fernando Balsalobre, otorrinolaringologista, membro da Associação Brasileira de Otorrinolaringologia, “a prática é bastante prejudicial, pois as partículas agridem quimicamente toda a via aérea, incluindo pulmões, cavidade nasal, levando a sequelas por vezes permanentes. Além disso, acaba sendo porta de entrada para drogas, portanto o diálogo aberto, as orientações dentro de casa e a atenção para o comportamento de seus filhos é fundamental”.

 Comportamento

A psicóloga clínica Luciane Vecchio explica os motivos dessa “brincadeira” se tornar algo mais grave. “Além de glamourizar a vida do traficante e incentivar uma prática criminosa, passa a afetar a saúde física. Crianças e adolescentes são muito vulneráveis, no que diz respeito ao que circula nas redes sociais. E, desejando chamar a atenção, pertencer ao grupo, criar moda e terem reconhecimento, podem ser muito mais influenciáveis e suscetíveis a desafios como esse. Os vídeos que circulam nas internet geram competição entre os estudantes, pois a emoção é não ser flagrado pelos professores”.

Segundo a diretora da Escola Cristã Jundiaí, Rosângela Jayme, um bom lugar para a prevenção, é a escola. “Em nossa unidade, trabalhamos com a conscientização dos malefícios dessa prática. Essas ações costumam ser bem efetivas, tanto que, até o momento, não registramos nenhum caso entre os nossos alunos. No entanto, como último recurso diante daqueles que insistirem com esses atos, é possível a escola aplique advertências aos estudantes e alerte os pais”.

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