Os Safra: a história por trás de uma das maiores dinastias financeiras do mundo

Novo livro de Robson Viturino mergulha nas origens da família Safra e revela como um clã que começou sua trajetória no Oriente Médio construiu um império bancário internacional, atravessando gerações, países, fortunas e disputas familiares.

Poucas famílias conseguiram transformar dinheiro, confiança e discrição em uma combinação tão poderosa quanto os Safra. Antes dos edifícios sofisticados, das operações bilionárias e de um sobrenome associado a uma das maiores fortunas do Brasil, a história começou muito longe de São Paulo, em Alepo, na atual Síria, uma cidade que durante séculos ocupou posição estratégica nas rotas comerciais entre Oriente e Ocidente.

É justamente essa trajetória que ganha novas dimensões em “Os Safra: Uma história”, livro do jornalista e escritor Robson Viturino, publicado pela Companhia das Letras. Resultado de aproximadamente nove anos de trabalho, a obra foi construída a partir de mais de 150 entrevistas e pesquisas realizadas em três continentes, em uma tentativa de reconstruir não apenas a ascensão financeira dos Safra, mas também os personagens, relações e acontecimentos que ajudaram a formar uma das dinastias empresariais mais reservadas do mundo.

O ponto de partida ajuda a entender muito do que viria depois. Os Safra pertencem a uma tradição de comerciantes e financistas judeus sefarditas estabelecidos no Oriente Médio. Em uma época em que grandes transações dependiam menos de sistemas eletrônicos e muito mais da reputação de quem estava do outro lado da mesa, confiança, relacionamento e conhecimento das rotas comerciais eram ativos tão importantes quanto o próprio capital.

Ao longo das gerações, esse conhecimento seria transformado em atividade bancária. A família atravessou fronteiras, estabeleceu negócios em diferentes centros financeiros e construiu uma presença internacional que passaria por Oriente Médio, Europa, América Latina e Estados Unidos. O sobrenome Safra deixava progressivamente de representar apenas uma família de comerciantes para se tornar sinônimo de banco, patrimônio e influência.

No centro da história moderna aparecem os irmãos Edmond, Moise e José Safra, protagonistas de trajetórias que levariam o grupo familiar a diferentes partes do mundo. Edmond construiu uma carreira internacional marcante no sistema financeiro, especialmente na Europa e nos Estados Unidos. José Safra, por sua vez, fez do Brasil uma das principais bases da família e tornou-se uma figura central na consolidação do Banco Safra e na expansão dos negócios do grupo.

A história de José Safra, que morreu em 2020, é particularmente relevante para compreender o tamanho alcançado pelo sobrenome no Brasil. Em um mercado bancário historicamente dominado por instituições gigantescas, o Safra construiu uma identidade própria, associada principalmente à gestão patrimonial, ao atendimento de grandes clientes e a uma cultura corporativa fortemente ligada à família.

Mas grandes patrimônios raramente são construídos apenas por meio de números. Por trás deles existem decisões, alianças, sucessões, divergências e disputas. E é justamente aí que o trabalho de Viturino ganha outra camada. Durante os nove anos dedicados ao projeto, a própria história dos Safra continuou acontecendo. A morte de José Safra, as transformações provocadas pela sucessão e as divergências públicas envolvendo integrantes da nova geração acrescentaram capítulos a uma narrativa que originalmente deveria terminar antes.

O resultado é também um retrato sobre poder familiar e sucessão empresarial, dois temas fundamentais para compreender companhias construídas ao redor de sobrenomes. Quanto maior o patrimônio, mais complexa se torna a passagem de uma geração para outra. No caso dos Safra, essa questão ganha proporções internacionais, porque não estamos falando apenas de dinheiro, mas de instituições financeiras, imóveis, participações empresariais e ativos distribuídos por diferentes mercados.

Há ainda outro elemento que torna a história particularmente fascinante: a discrição. Durante décadas, os Safra construíram uma fortuna gigantesca sem transformar exposição pública em instrumento de poder. Em uma época anterior às redes sociais isso já era uma característica marcante. No mundo atual, em que empresários, bilionários e herdeiros frequentemente constroem marcas pessoais, a postura reservada da família parece quase pertencer a outra escola de capitalismo.

Talvez esteja justamente aí uma das razões pelas quais um livro sobre os Safra desperta tanta curiosidade. Quanto maior a influência e menor a exposição, maior o interesse pelo que acontece longe dos holofotes. Entender os Safra significa observar não apenas como uma fortuna é construída, mas como ela atravessa fronteiras, guerras, mudanças políticas, crises econômicas e diferentes gerações.

Com preço de capa de R$ 99,90, “Os Safra: Uma história” chega às livrarias pela Companhia das Letras oferecendo ao leitor uma investigação sobre uma família que ajudou a escrever parte importante da história financeira contemporânea. É uma narrativa que começa no comércio do Oriente Médio, atravessa alguns dos principais centros financeiros internacionais e encontra no Brasil um de seus capítulos mais importantes.

Mais do que a biografia de uma família rica, porém, a trajetória dos Safra permite uma leitura maior sobre capital, confiança, tradição, sucessão e poder. Bancos podem ser construídos com dinheiro, tecnologia e estratégia. Dinastias exigem algo mais difícil: atravessar o tempo e os Safra fizeram exatamente isso.

Infos: https://www.instagram.com/rviturino/

 

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