Um século e uma lenda na chapa, o Rei do Filét e seus 111 anos de sabor paulistano.

 

No coração de São Paulo, na Praça Júlio Mesquita, resiste ao tempo e às mudanças da cidade um verdadeiro patrimônio gastronômico: o restaurante Rei do Filét. Fundado em 1914,  o que o torna um estabelecimento centenário com 111 anos de história (em 2024), a casa se mantém fiel à tradição, servindo o que muitos consideram o mais saboroso filé mignon do Brasil.

O restaurante, que começou como a lanchonete “Esplanadinha” na Rua Conselheiro Crispiniano, ganhou seu apelido e, mais tarde, seu nome oficial por conta do seu ícone: o lendário Chapeiro Moraes. Era ele quem preparava o Filé Alto, uma peça de quase 10cm, dourada por fora e rubra por dentro, coberta por alho frito crocante. A fama do “Filé do Moraes” era tamanha que a clientela acabou impondo o nome “Rei do Filé” ao local.

O segredo do filé centenário.

A grande estrela do cardápio, que praticamente se mantém intacto ao longo das décadas, é o Filé com Brócolis ao Alho e Óleo. É a receita original da época do “Esplanadinha”, mantida até hoje: um filé mignon alto e mal-passado (ou no ponto desejado), recoberto com alho frito e crocante, acompanhado de brócolis ou salada de agrião. Esse preparo simples e inconfundível é o que atrai gerações de paulistanos e visitantes.

Personalidades à mesa e o samba “Trem das Onze”.

Ao longo de mais de um século, o Rei do Filé se estabeleceu como ponto de encontro de boêmios, artistas, políticos e a alta sociedade. Personalidades como o ex-presidente Jânio Quadros, o ex-governador Mário Covas, o músico Hermeto Pascoal, o radialista Assis Chateaubriand e o sambista Cauby Peixoto passaram por suas mesas.

A história mais famosa, que mistura fato e lenda, é a de Adoniran Barbosa. Cliente assíduo, dizem que foi em uma das mesas do restaurante, enquanto saboreava seu filé, que o compositor criou o seu samba mais célebre: “Trem das Onze”. Os quadros nas paredes do restaurante contam essa e muitas outras histórias que moldaram a cultura paulistana.

Resistência e tradição.

Apesar das crises e da recente pandemia, que quase abreviou sua existência centenária, o Rei do Filét sobrevive. Sob a administração de famílias dos fundadores e com funcionários de longa data, como o gerente Roberto Carlos Martins e o chef Gildásio Barbosa, ambos com décadas de casa, o restaurante segue como um tributo à história e à gastronomia de São Paulo.

Embora o endereço original tenha mudado para a Praça Júlio Mesquita em 1929 e a rotina tenha sido adaptada (o serviço noturno foi suspenso, funcionando hoje apenas até o final da tarde), a alma da casa permanece inalterada. Para provar um pedaço da história de São Paulo, saborear o tradicional Filé com Alho e Brócolis no Rei do Filé é uma parada obrigatória.

Infos: @reidofilet

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