Há um momento, quase sempre silencioso,  em que o indivíduo percebe que está vivendo mais por repetição do que por escolha.
Não se trata de fracasso, tampouco de drama. É apenas a constatação de que a vida, quando não pensada, tende a se tornar automática. É nesse espaço de lucidez incômoda que se insere Crie as Próprias Circunstâncias, primeiro livro de Francisco Ronei.
A obra nasce longe do ruído. Não pretende ensinar, convencer ou seduzir. Antes, observa. E ao observar, provoca.
Empresário por trajetória, mas pensador por natureza, Ronei escreve como alguém que compreendeu que a maior prisão contemporânea não é social nem econômica,  é mental. E que a verdadeira liberdade começa quando o indivíduo assume a responsabilidade radical de olhar para si mesmo.
O livro parte de uma ideia simples e desconcertante: aquilo que chamamos de “circunstâncias” raramente é acaso. Na maior parte das vezes, são construções invisíveis, erguidas ao longo do tempo por padrões mentais não questionados.
Pensamos do mesmo modo, reagimos do mesmo modo, desejamos do mesmo modo e nos surpreendemos ao colher sempre os mesmos resultados. A repetição passa a ser confundida com destino.
Contra essa lógica confortável, a obra propõe a autoanálise como gesto cultural e existencial. Pensar deixa de ser um ato passivo e se transforma em ferramenta. Pensar, sentir e agir passam a ser compreendidos como um sistema integrado, que precisa ser observado com rigor e honestidade.
Antes de qualquer mudança externa, há uma pergunta fundamental: quem estou sendo agora?
Não se trata de buscar versões idealizadas de si mesmo, mas de compreender a própria posição no mundo.
Localizar-se no tempo, no espaço e na consciência. A partir daí, sim, torna-se possível traçar uma direção. Não como promessa, mas como construção diária. Não como desejo, mas como disciplina.
Culturalmente, Crie as Próprias Circunstâncias dialoga com uma época saturada de discursos motivacionais e vazios de prática. Aqui, não há atalhos emocionais.
Evoluir exige negar impulsos antigos, romper hábitos confortáveis e atravessar conflitos internos. O sofrimento não é estetizado nem evitado, é compreendido como dado inevitável do processo humano. Ou ele paralisa, quando transforma o indivíduo em vítima, ou se converte em inteligência, quando assumido como diagnóstico.
A narrativa simbólica que acompanha a obra reforça esse pensamento. Um homem rompe correntes e se afasta de um labirinto que representa a mente automática. À frente, um caminho iluminado surge não como promessa de facilidade, mas como escolha consciente.
O espelho, a ampulheta, o livro em chamas e a borboleta não oferecem respostas, oferecem significados. Tempo, consciência, conhecimento e transformação coexistem como forças inseparáveis.
No fundo, o livro fala menos sobre sucesso e mais sobre identidade. Sobre deixar de reagir à vida para começar a moldá-la. Sobre compreender que a grandeza não é um evento extraordinário, mas uma postura cotidiana. Criar as próprias circunstâncias, aqui, não é um privilégio, é um ato de coragem silenciosa.
Com lançamento previsto em breve e chegada às principais livrarias do país, a obra se apresenta como um convite raro em tempos de excesso: parar, observar e assumir o comando da própria existência.
Porque viver é inevitável.
Mas viver com consciência é uma escolha cultural.

Infos: @whiteronei

Lúcio Zahoul. Abril de 2026

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