Trinta anos depois de uma das maiores comoções da música brasileira, a TV Globo leva ao ar, nesta segunda-feira (2), o documentário “Mamonas – Eu Te Ai Lóve Iú”, produção que revisita a trajetória meteórica, irreverente e profundamente marcante dos Mamonas Assassinas. A exibição acontece logo após o Big Brother Brasil, em horário nobre, reforçando a dimensão cultural de um grupo que ultrapassou gerações.

Com direção de Fellipe Awi, roteiro de Renato Terra e Gabriel Tibaldo, direção artística de Monica Almeida e produção do Núcleo de Documentários dos Estúdios Globo, sob a liderança de Pedro Bial, o filme mergulha na construção, no auge e na despedida abrupta da banda que redefiniu o humor musical no Brasil dos anos 1990.

O fenômeno que o Brasil nunca esqueceu

Formada por Dinho, Bento Hinoto, Júlio Rasec, Samuel Reoli e Sérgio Reoli, a banda conquistou o país em 1995 com um único álbum, que vendeu mais de três milhões de cópias e hits que se tornaram trilha sonora de uma geração, como “Pelados em Santos”, “Vira-Vira” e “Robocop Gay”. Em menos de um ano, os Mamonas passaram de banda regional a fenômeno nacional, ocupando rádios, programas de TV e estádios lotados.

O documentário apresenta imagens inéditas, inclusive registros do último show realizado pelo grupo, além de bastidores, arquivos pessoais e depoimentos exclusivos de nomes que acompanharam de perto essa história, como o produtor Rick Bonadio, Serginho Groisman, Tom Cavalcante e Cláudio Manoel.

Humor, ousadia e inteligência

Mais do que irreverência, o filme contextualiza o impacto cultural dos Mamonas Assassinas. Em um Brasil que saía da hiperinflação e vivia a consolidação da TV aberta como grande formadora de opinião, a banda misturou rock, pop, heavy metal, forró, pagode e sátira social com uma linguagem acessível, debochada e extremamente carismática.

O documentário também propõe um olhar geracional: como jovens que nem eram nascidos em 1995 redescobrem hoje o grupo por meio de redes sociais, memes e plataformas digitais. O que era fita cassete e CD virou streaming; o que era auditório dominical virou viral.

Uma ausência que virou eternidade

No dia 2 de março de 1996, um acidente aéreo na Serra da Cantareira interrompeu a ascensão do grupo e chocou o país. A tragédia consolidou a banda como mito da cultura pop brasileira. A comoção coletiva daquele momento permanece viva na memória nacional.

Três décadas depois, “Mamonas  Eu Te Ai Lóve Iú” não é apenas um resgate nostálgico. É um tributo à alegria, à ousadia criativa e ao poder de uma música que, mesmo nascida sob o signo do humor, transformou-se em símbolo de afeto e memória coletiva.

Porque há artistas que passam.
E há aqueles que, mesmo em silêncio, continuam fazendo o Brasil cantar.

Lúcio Zahoul. Abril de 2026

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