• Revista lounge*

Entrevista

Fenômeno da música eletrônica #ALOK

O DJ número um do Brasil faz história e marca seu nome no cenário da música eletrônica

Alok Achkar Peres Petrillo, 25 anos, nasceu e cresceu ouvindo música eletrônica, afinal de contas seus pais são os fundadores do Universo Paralelo, o maior evento dedicado ao Psytrance no Brasil e o percursor do cenário nacional.

Seu primeiro contato com os decks foi aos 12 anos, e com apenas 16 anos começou a produzir músicas. Em um bate papo informal com a Revista lounge*, o jovem DJ nos contou que não tem hora certa para produzir e geralmente produz quando a inspiração acontece, isso pode ser nos hotéis em que se hospeda ao redor do mundo, nas viagens de avião ou até mesmo no camarim, minutos antes de se apresentar. Realizando aproximadamente 20 apresentações por mês, o rapaz é um verdadeiro prodígio da música eletrônica. Alok levanta a bandeira do Brazilian Bass – um projeto do DJ em parceria com uma nova geração de produtores, e assinou recentemente um contrato de exclusividade com a maior gravadora de música eletrônica do mundo, Spinnin Records. Além disso, semanalmente ele assume o comando de um programa nos estúdios da Rádio Energia 97FM, dedicado aos seus projetos.

 

lounge* – Como tudo começou?

Alok: Eu comecei a tocar com 12 anos de idade, a minha primeira gig foi numa rave e a segunda já foi o Universo Paralelo em 2004/2005. Cresci no berço eletrônico. Meu pais fazer o Universo do Psytrance no Brasil, fui influenciado por ele direta e indiretamente. De forma indireta porque eu me inspirava neles, e de forma direta era o que eu estava vivendo naquele mundo.

 

Como era ser uma criança dentro daquele mundo?

Alok: A minha infância sempre foi diferente das crianças ao meu redor. Na época eu não  entendia, mas sempre respeitei muito os meus pais e o trabalho deles. Hoje tudo faz muito mais sentido. Quando eu falava para meus colegas que meus pais eram DJs, ninguém entendia. Mas, sempre admirei muito tudo aquilo. E agora eu estou dando andamento a tudo que eles começaram.

 

Você levanta a bandeira de um novo movimento o BRAZILIAN BASS, que por sinal está bombando. Como surgiu?

Alok: O Brazilian Bass não foi uma criação minha, eu faço parte desse movimento. Porém, eu fui um dos primeiros a realmente levantar a bandeira do projeto. Criamos um som completamente novo, com a identidade do produtores e DJs brasileiros, ele não se enquadra em nenhum estilo musical. Não é techno, não é house, não é deep house, ele é Brazilian Bass. Ele tem um baixo, um groove e um swing criado no Brasil, predominante aqui. E, obviamente os gringos estão de olho no drop brasileiro. Foi por esse motivo que levantei essa bandeira. E, eu gostaria de deixar muito claro que o Brazilian Bass não é algo meu e sim de todos. Faço parte desse movimento e levo pra frente junto com meus amigos Illusionize, Dazzo, Shapeless, Gustavo Mota, Vinny, Groove Delight, uma galera da nova geração da música eletrônica no Brasil. Eu fico muito feliz porque novos DJs estão produzindo e agora conseguem ser reconhecidos pelos gringos com a nova vertente da música eletrônica o Brazilian Bass. Quer saber o que é o drop brasileiro? Busquem pela hashtag Brazilian Bass. Você acaba de lançar uma música com o Edi Rock que é um símbolo do Rap nacional.

 Como foi esse casamento?

Alok: A música foi lançada no último mês e eu decidi fazer esse remix porque temos uma cultura brasileira tão rica , que é muito mal explorada. Eu tive uma conversa com o Pete Tong, pioneiro da BBC Rádio e ele me sugeriu fazer produções mais culturais, ligadas ao brasil. Então eu vi o som do Edi Rock e até comecei a fazer ela com o Shapeless dei andamento sozinho, e a minha versão foi a oficial.

 

Suas músicas são lançadas pela sua gravadora a Up Club Records, mas recentemente você assinou com uma das maiores gravadoras do mundo, como foi isso?

Alok: Foi muito engraçado porque eu já havia desistido da Spinnin Records e da Armada que foram as duas que mandei minhas músicas, mas de repente as duas quiseram lançar minhas músicas. Eu assinei com Spinnin Records, que além de ser uma das maiores gravadoras do mundo, me ofereceu um plano 360º para o Alok. A Up Club Records ficará para a galera nacional, porque eu sei a necessidade do mercado. Sei quantos “nãos” eu tomei quando queria lançar uma música, porque eu não seguia a tendência do mercado. Por isso criei a minha própria gravadora. Agora eu abro as portas para quem está sendo recusado. Pode mandar a música para mim que nós lançamos. (Risos)

 

Qual foi a melhor pista da sua vida?

Alok: Tomorrowland 2016, sem dúvidas!

Como é sua relação com os Djs internacionais?

Alok: Então eu nunca tive acesso, nunca troquei um e-mail com eles e nunca fui atrás de ninguém. O mais legal é que as coisas estão acontecendo através da música, tudo muito orgânico. Os caras estão me conhecendo não porque alguém me indicou, mas porque ouviramma minha música, curtiram e foram atrás. Artistas como Oliver Heldens e Hardwell me procuraram e é engraçado, porque sempre foram pra mim algo muito distante e ver eles chegando até mim é irado.

Você pensa em morar fora do Brasil?

Alok: Esse ano já estou morando meio a meio. Eu não penso em morar fora do país porque eu curto demais o Brasil. Eu não posso perder o mercado brasileiro que eu amo. Eu preciso estar aqui.

Qual foi o seu record de gigs numa noite?

Alok: Em 24 horas, seis festas grandes! Nós fizemos um cálculo, eu estou me apresentando  para aproximadamente 500 mil pessoas por mês.

O que o Alok gosta de fazer? Não vale música!

Alok: Eu sempre frequento a academia, é minha terapia, quando não vou fico surtado. Já  cheguei até a competir num campeonato de Muay Thai, mas hoje não da mais tempo de me dedicar. Tudo que eu faço eu levo muito a sério, fiz Jiu-jitsu bastante tempo, mas dei prioridade na minha vida a outras coisas e ai só treino e corro ás vezes. Impressionante que hoje em dia não da tempo de nada. Eu vou muito atrás de equilíbrio espiritual, qualquer viagem que eu faça para descansar, eu não vou aos pontos turísticos, eu vou à lugares energizados.

 

*Entrevista na íntegra na edição impressa da Revista lounge*

 

© Alisson Demetrio | 2016

Crédito: Alisson Demetrio

© Alisson Demetrio | 2016

Crédito: Alisson Demetrio




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