As viagens mais improváveis de Alvaro Garnero que ajudaram a transformar o 50 por 1 em um clássico da televisão.

Existem programas que mostram destinos e existem programas que ensinam um jeito de olhar para o mundo.

Quando o 50 por 1 surgiu, em 2008, a proposta parecia quase simples demais para durar: reunir experiências especiais vividas em viagens e dividir com o público. O curioso é que justamente essa simplicidade deu origem a um dos projetos independentes mais longevos da televisão brasileira.

Quase vinte anos depois, o programa apresentado por Alvaro Garnero continua relevante porque nunca tratou turismo como deslocamento. Sempre tratou como descoberta.

Ao longo de mais de uma centena de países visitados, alguns episódios ajudaram a construir uma identidade própria, menos guia turístico e mais experiência cultural.

Entre os momentos mais curiosos está a travessia inspirada em “A Volta ao Mundo em 80 Dias”, quando a equipe acelerou o planeta em uma jornada por dezenas de culturas, recriando o espírito da aventura clássica em ritmo contemporâneo.

Em outro extremo, vieram experiências quase silenciosas, como estar diante da Grande Muralha da China sem transformá-la apenas em cenário, mas em contemplação, ou descobrir que um simples passeio de bicicleta por Manhattan pode dizer tanto sobre uma cidade quanto seus arranha-céus.

O programa também passou por lugares que normalmente não aparecem nas listas tradicionais do turismo aspiracional: a região de Huasteca, no México, com paisagens surreais; o Delta de Okavango, na África, em formato safári; experiências culturais na Turquia; jornadas pelas Ilhas Faroe; encontros com tradições locais na Tunísia e aventuras entre paisagens remotas da África Ocidental.

Talvez o ponto mais interessante seja perceber como o 50 por 1 amadureceu junto com o próprio conceito de viajar.

O programa começou falando sobre lazer e passou a mostrar também gastronomia, hospitalidade, arquitetura, comportamento e, mais recentemente, turismo de negócios, aproximando o espectador de feiras internacionais, inovação, mobilidade e movimentos econômicos globais.

Num momento em que muita gente filma viagens para provar que esteve em algum lugar, o 50 por 1 parece continuar defendendo uma ideia mais rara: viajar não é colecionar destinos, é colecionar repertório.

Talvez seja exatamente por isso que, tantos anos depois, ainda exista espaço para descobrir o mundo por um outro ângulo.

Infos: https://50por1.com/

 

Lúcio Zahoul. Abril de 2026

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