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O futuro do mercado imobiliário

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O futuro do mercado imobiliário

Após enfrentar um período de grande turbulência impulsionado pela crise política e econômica que assolou o Brasil, o mercado imobiliário vem se recuperando muito bem e se mostra pronto para um novo ciclo. E quais são os desafios a serem enfrentados nesta nova fase? Como a indústria imobiliária vai atuar no que diz respeito com desenvolvimento urbano? O setor está preparado para atuar ao lado do Poder Público e construir uma cidade organizada e mais sustentável?

Conversamos com um dos principais nomes da área para saber qual é o futuro do mercado imobiliário. O empresário e especialista em marketing imobiliário, Maurício Eugênio, fez um panorama do mercado imobiliário brasileiro e apontou o futuro do setor no Brasil. Confira a entrevista:

 

O mercado imobiliário vem de uma fase muito positiva, que logo foi interrompida pela crise no país. 

Sim, no anos 2000, ele viveu uma transformação muito grande e surfou uma onda de prosperidade e de grande volume. A indústria imobiliária se profissionalizou, muitas empresas abriram capital, tiveram que produzir muito para atender tal circunstância e foram buscar objetivos a qualquer custo. Isso, aliado a um momento econômico muito favorável, em 2005 e 2006, fez com que o mercado produzisse muito. Mas a crise financeira e política que abateu o Brasil atingiu frontalmente essa crescente, foi um verdadeiro tsunami. Esse período de crise – o qual muitas empresas não resistiram – deixou um ensinamento e o setor ficou mais maduro, consciente e diferente. Após as eleições de 2018, começou um novo ciclo imobiliário e o que vemos desde então é uma consciência diferente de como será a produção e de como o setor estará inserido nas questões da cidade.

E qual é a situação atual do mercado imobiliário?

Há quase um ano o mercado vem se recuperando muito bem, com crescimentos importantes e números que surpreendem: 30 mil unidades foram lançadas em São Paulo. A partir de agora, o ciclo imobiliário será extenso e muito positivo, pois há convergência de alguns fatores, como juros baixo, inflação controlada, recuperação do poder de compra das pessoas e confiança no mercado. Hoje, a indústria demonstra preocupação com o futuro. A grande novidade para este ciclo é o comportamento com relação ao futuro das cidades. No caso de São Paulo, a indústria já demonstrou que quer participar do desenvolvimento urbano da cidade. A indústria imobiliária é crucial na dinâmica urbana, pois, basicamente, é ela que produz os elementos desse tripé: a casa, o escritório e o shopping, por exemplo. Ela se vê com mais responsabilidade e, ao lado do Poder Público e de importantes associações, trabalha em uma convergência com todos indo para o mesmo sentido. 

Qual a importância dessa união considerando o rápido e desordenado crescimento das cidades?

A indústria imobiliária é o segmento com menor prestígio frente à sociedade, que pese todos usufruírem do seu produto, ela é muito mal vista. Há um exagero nessa percepção negativa. Há uma preocupação em refazer essa imagem, mostrar à sociedade que a indústria imobiliária e o Poder Público vão influenciar diretamente na vida das pessoas e de forma muita positiva. O Poder Público cria legislações olhando para o futuro das cidades e deve fazer isso em sintonia com o setor imobiliário; no passado não era assim. O Poder Público punia e limitava o setor, os planos diretores sempre foram feitos sem olhar para o futuro, às vezes até querendo consertar coisas antigas. 

O que é maior urgência nos dias de hoje?

A mobilidade. Não dá para perder tanto tempo se locomovendo, isso afeta demais as pessoas, a felicidades das pessoas. A indústria imobiliária é a indústria da felicidade, não só por ela te entregar uma casa própria, que é o sonho de cada família, mas por ser responsável por promover melhoria na qualidade de vida das pessoas.

De que maneira?

Há um pacto para que seja estabelecido um prazo de 10 anos para o planejamento da cidade. Como queremos a cidade em 10 anos? Como vamos viver, trabalhar, nos mover, comprar, buscar cultura e lazer… Como a indústria imobiliária e os agentes públicos vão planejar esses 10 anos? Entregando ações. Se você tem uma economia que cresce e se fortalece, o setor vai responder.  E aí a cidade se movimenta com todos alinhados para um futuro no qual essas questões que resultam em qualidade de vida melhor estão sendo melhor tratadas. Hoje, quem compra um imóvel já quer entender sua casa no contexto da cidade, como vai se locomover, onde vai trabalhar, onde vai se divertir, quanto tempo não vai perder. A busca é não perder mais tempo. Temos um novo ciclo imobiliário atrelado a tendências.

Apartamentos tão pequenos, por exemplo, é uma tendência? 

Há uma questão interessante sobre o espaço. A nossa vida em casa vem diminuindo há décadas, era normal termos uma empregada doméstica ou uma faxineira, em alguns casos até uma cozinheira. Não é nem mais tendência, a realidade hoje é uma vida mais prática, com mais autonomia e uma forma diferente de administrar a vida. As famílias não querem mais desperdícios – e a crise faz com que todos adquiram novos hábitos. Essa vida mais prática, mais austera e reduzindo gastos, influencia demais no espaço que você vive. Não existe mais dependência de empregada. Hoje há lavanderias coletivas, por exemplo.  Os espaços diminuíram em função da praticidade e também do preço. É muito caro o produto imobiliário, mas é caro considerando o poder de compra. O brasileiro está com o orçamento apertadíssimo, endividado, e o reflexo disso é o desafio de como atrair novos compradores. Então os apartamentos são menores, exageradamente menores.

E o que fazer com um produto tão caro?

O que a gente vê para esse futuro imobiliário é um esforço para reduzir o custo da moradia, de melhorar as condições de compra. Há alguns movimentos importantes nesse sentido. A partir do momento que o mercado é desburocratizado, desonerado e fica menos arriscado para investidores… porque é um mercado de risco. Para investir na indústria imobiliária é preciso esperar muitos anos para ter resultado. São muitas regras e obstáculos. Quem investe nesse mercado corre risco, há uma judicialização da indústria. A tendência é que o mercado se torne menos complexo e precisa ser mais fácil. Hoje existe um movimento para reduzir o preço do produto imobiliário olhando para a forma de financiamento, para os índices de correção, melhorar a oferta de crédito. Isso reflete na possibilidade de desenvolver espaços com melhor relação de custo benefício, com um custo que a família possa pagar. Isso tudo está acontecendo.

Qual próximo passo para a indústria imobiliária?

É entregar um ambiente no qual a questão da sustentabilidade seja praticada no dia a dia: reuso de água, racionamento de energia e energia limpa, coleta seletiva de lixo… principalmente a gestão do lixo. O condomínio vai ser responsável pelo lixo. Então, os empreendimentos já terão sua pequena usina de compostagem, a separação do lixo eletrônico … essa consciência será valorizada nos novos empreendimentos. Teremos uma indústria imobiliária que vai olhar extra-muro, que vai ser protagonista no desenvolvimento urbano, olhando para a sustentabilidade, com uma economia melhor e próspera. Será uma indústria acessível, moderna, inteligente, consciente e que conversa com a cidade. Parece até um sonho… Desenvolvo um trabalho junto à indústria há 35 anos e nesse tempo já vivi em 3 mil lançamentos de tudo e o que vejo hoje é um comportamento maduro e diferente, alinhada ao poder público.




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