Cargo: Fundador e sócio-diretor da Social QI – Grupo de agências de comunicação e conteúdo. Coordenador da comunicação pessoal do Prefeito João Doria.
Formação: Publicitário formado pela Universidade Paulista, especialista em planejamento estratégico de comunicação, comunicação digital, monitoramento digital e marketing político.
RL: A pergunta clichê de todas as entrevistas: quem é Daniel Braga?
DB: O Daniel Braga é um publicitário, que nasceu do útero da Publicidade. Pai, mãe e três irmãos publicitários, amigos publicitários, assim como a grande maioria das minhas conexões. Desde criança, os almoços de domingo na minha casa sempre levavam ao assunto publicidade.
RL: E o que mudou na publicidade desde então?
DB: Muita coisa. Meu pai, por exemplo, é de uma geração que a publicidade era muito “feeling”, uma coisa até romântica. A minha geração já era mais técnica. Por trabalhar na agência do meu pai desde muito cedo, eu aprendi muito sobre esse feeling, mas resolvi sair no mercado e aperfeiçoar a técnica.
RL: E como tudo começou?
DB: Eu comecei a trabalhar como office boy na agência do meu pai com 15 anos. Quer dizer… Eu fui o personagem “Guerino”, bebê que chorava no programa de rádio do Zé Bettio, então na verdade eu entrei na publicidade ainda bebê (rs). Migrei para veículos de comunicação, participei de uma startup de comunicação e cinema digital – a Rain Network- e comecei a trilhar o meu caminho na comunicação digital. Montei minha primeira agência aos 27 anos.
RL: Em que momento a política entrou nessa história?
DB: A política sempre esteve entre os meus principais interesses, totalmente na contramão da minha geração, que tinha aversão ao assunto. A primeira campanha política que eu participei foi em 2008 e foi nesse momento que eu percebi que gostava daquilo de verdade. Eu acredito realmente que a política é a grande ferramenta para mudar o mundo.
RL: Qual o maior desafio em implantar na política essa comunicação em tempo real praticada pela prefeitura de São Paulo?
DB: O maior desafio é mostrar para quem não conhece a comunicação digital sua importância e assim ter espaço. O João Doria é conhecido por saber falar bem para as câmeras, mas o grande mérito dele é saber ouvir, acreditar no que estamos propondo e dar espaço para nossas inovações. E, uma vez que é muito fácil mostrar resultados no meio digital, porque as métricas saem em “real time”, podemos de imediato identificar o que funciona ou não, damos segurança para ter cada vez mais espaço. Talvez o grande desafio seja fazer com que os presidentes das empresas, futuros clientes, os agentes da política e também da iniciativa privada entendam o que estamos falando.
RL: O que não cabe mais no cenário do marketing no Brasil?
DB: O marketing especulativo, o falso marketing. Hoje é muito fácil você medir resultados, por isso, apenas gerar buzz, sem oferecer um conteúdo de qualidade, não se mantém por muito tempo. A palavra de ordem na comunicação não tem que ser alcance, mas sim relevância. O alcance você compra e alcance comprado sem relevância de conteúdo não tem valor.
RL: Qual ferramenta você considera indispensável hoje no meio digital?
DB: O software de monitoramento de rede que nós temos atualmente. É uma integradora, une os melhores softwares do mundo. Essas ferramentas separadas não entregam cem por cento do que é necessário para agir com precisão e velocidade nas mídias digitais. Nossa integradora nos fornece todos os dados que precisamos sobre uma marca, produto ou pessoa. A partir daí, fazemos um diagnóstico imediato de qual a solução para o problema que aquela questão está gerando.
RL: O monitoramento de rede já é uma realidade na comunicação, qual o próximo passo?
DB: O monitoramento de rede sozinho não serve para muita coisa. Você tem que saber o que extrair das redes e ter um time muito bom para analisar os dados e montar o plano de ação. Nosso grupo tem três empresas: agência de monitoramento de rede, agência de propaganda e gestão/desenvolvimento de conteúdo. 100% do que uma marca ou pessoa precisa. Desta forma, a comunicação fica realmente integrada. Nosso DNA é “Monitorar, Entender e Agir”.
RL: Qual grande equívoco cometido pelas empresas ao gerir sua comunicação?
DB: Agir antes de monitorar, planejar e traçar estratégia. A maioria das empresas/pessoas ainda age sem planejamento, sem ter uma análise prévia para agir de forma mais assertiva. Isso gera cicatrizes nas marcas. Ás vezes um simples relatório já mostraria o que as pessoas estão falando de determinado assunto. Sempre vai custar muito mais você reparar a sua imagem do que construí-la.
RL: Como fazer o cliente entender que likes, alcance e virais são dispensáveis para o sucesso de uma marca?
DB: Likes, alcance e virais tem a sua função, mas é preciso mostrar que antes vem o conteúdo. Você tem que oferecer um conteúdo relevante, que instigue as pessoas a quererem consumir aquilo e se interessarem pelo que você produz cada vez mais. Se você quer se manter no topo, dê conteúdo de qualidade para seu público.
RL: E o Snapchat? É uma rede social morta?
DB: Já teve mais importância, hoje faz parte de um universo muito pequeno das mídias sociais no Brasil, pois o Instagram trouxe uma ferramenta muito parecida e tem uma base de usuários muito maior.
RL: Você acredita que Mark Zuckerberg quer ter o monopólio da informação digital?
DB: Eu não acredito que ela queira ter o monopólio. Ele consegue ter a sensibilidade de saber quais ferramentas podem se transformar em grandes negócios. Foi assim como Instagram e com o WhatsApp. Ele busca soluções que somem às já existentes no grupo. Quando surgiu o Snapchat ele logo percebeu que era uma boa ideia e que poderia somar essa nova tendência a uma de suas ferramentas. Qualquer empreendedor partiria para o mais simples e compraria para esvaziar o mercado. Ele, ao invés disso, integrou ao Instagram e engoliu o segmento.
RL: Qual a próxima ferramenta que virá para revolucionar o mercado?
DB: A integração de todas as redes sociais. Essa ferramenta foi criada por brasileiros, mas para o mercado global. Ela já está pronta e será a grande novidade das eleições 2018, embora acredite que nas eleições de 2020 nos EUA que ela vai estourar de verdade.
Fotos: Milton Galvani






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