Em “ANFI”, artista apresenta novas telas e desenhos de grandes dimensões que exploram redes, fronteiras e as conexões entre o consciente e o inconsciente

A abertura da nova exposição de Daisy Xavier reuniu nomes de destaque das artes visuais brasileiras, que prestigiaram a artista em um dos momentos mais representativos de seus 40 anos de trajetória.

Entre os convidados estavam Amália Giacomini, Antonio Manuel, Cabelo, Carlos Zilio, Célia Euvaldo, Daniel Senise, Eduardo Coimbra, Elisa Byington, Fernanda Junqueira, João Modé e Manfredo Souzanetto. Também marcaram presença o crítico de arte Paulo Sergio Duarte, Fred Coelho — responsável pelo texto crítico da mostra, os galeristas Eduardo Fernandes, Fabíola Ceni e Luisa Duarte, além de Stella Ramos e Maneco Müller, sócios da galeria.

Fora do circuito das artes, destacaram-se nomes como Fausto Fawcett e Claudio Lobato, roteirista da TV Globo, além de discretos colecionadores.

Na exposição, Daisy Xavier apresenta uma produção recente e inédita, composta por telas e desenhos de grandes dimensões. Sobre superfícies de linho cru ou papel branco, linhas enérgicas de breu, bastão de óleo, asfalto e tintas industriais cruzam-se e conectam-se por meio de ganchos. O resultado são redes intrincadas, que desafiam o olhar e parecem extrapolar os limites das obras.

“O que vemos pulsando nas telas e desenhos funciona como um campo expandido, afinal as tramas e os traços estão também fora deles, escapam da tela. As estruturas de Daisy estão vivas, móveis, e falam de algo que transborda do que vemos. Como tudo na vida, aliás”, explica Fred Coelho.

Duas vezes indicada ao Prêmio Pipa, Daisy revela que as imagens de tramas e redes são recorrentes em sua produção e dialogam diretamente com sua formação em psicanálise. Além da carreira artística, ela também atua como psicoterapeuta.

“A rede, ao mesmo tempo que cria uma barreira e divide o espaço, permite enxergar o que está do outro lado. Ela é permeável. Esse entrelaçamento e essa permeabilidade das fronteiras são o que me interessam e têm ligação com minha formação em psicanálise. É também uma metáfora da atuação do inconsciente em nossa vida, que impregna o nosso estado consciente e vice-versa”, afirma a artista.

O título da mostra, “ANFI”, vem do prefixo grego que remete às ideias de “em torno”, “ao redor” e “de ambos os lados”. Um nome que traduz a essência de uma exposição construída sobre duplicidades, atravessamentos e fronteiras que nunca permanecem completamente fechadas.

A mostra pode ser visitada até 4 de setembro.

[guest_only] [/guest_only]