Imprudência no trânsito e o uso de ciclomotores, patinetes e bikes elétricas: Joinville serve de exemplo para São Paulo e Rio de Janeiro.

O aumento do uso de veículos leves individuais, como ciclomotores, patinetes e bicicletas elétricas, vem transformando a mobilidade urbana nas cidades brasileiras. No entanto, esse avanço também trouxe desafios significativos, principalmente relacionados à imprudência dos condutores e à falta de fiscalização. Enquanto metrópoles como São Paulo e Rio de Janeiro ainda buscam soluções, Joinville, em Santa Catarina, já se destaca ao estabelecer regras claras para o uso seguro desses modais.

Em Joinville, os ciclomotores devem circular nas vias de rolamento, respeitando os limites de velocidade da via e não podem trafegar em calçadas, ciclovias ou ciclofaixas. Já os patinetes elétricos têm permissão para circular em ciclovias, ciclofaixas e calçadas compartilhadas, mas com velocidade limitada e apenas em vias onde o limite máximo é de até 40 km/h. As bikes elétricas, por sua vez, podem trafegar em ciclovias e ciclofaixas quando atendem aos critérios técnicos e de potência definidos pela legislação de trânsito, mantendo-se dentro de velocidades seguras e respeitando os pedestres.

Apesar dessas regras, ainda é comum observar o uso inadequado desses veículos: patinetes em alta velocidade em calçadas estreitas, ciclomotores transitando entre carros sem sinalização, bikes elétricas passando sinais vermelhos ou trafegando na contramão. A falta de uso de capacete, ausência de itens obrigatórios como campainha e luzes sinalizadoras, além da despreocupação com a segurança coletiva, colocam em risco todos os usuários do espaço público.

Joinville oferece um modelo que pode e deve ser replicado nas grandes cidades brasileiras. A mobilidade elétrica urbana é uma tendência irreversível, mas precisa ser tratada com responsabilidade. Para isso, é essencial investir em infraestrutura adequada, sinalização, campanhas educativas e principalmente fiscalização efetiva.

Cidades como São Paulo e Rio de Janeiro precisam sair da inércia e adotar regulamentações claras para o uso de ciclomotores, patinetes e bicicletas elétricas. A convivência entre diferentes modais no trânsito depende do respeito às regras, da consciência dos usuários e de um sistema de mobilidade pensado para a segurança coletiva.

Mobilidade urbana segura, sustentável e eficiente começa com regras, educação e fiscalização. E Joinville mostra que é possível.

Lúcio Zahoul. Abril de 2026

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