A eleição que move bilhões: USP escolhe novo reitor em disputa maior que muitas prefeituras.

A Universidade de São Paulo vive, neste fim de ano, um dos momentos mais emblemáticos de sua história recente: a eleição para o novo reitor. O que poderia parecer apenas um rito acadêmico ganha proporções muito maiores quando se olha para os números  e eles impressionam. A USP administra, hoje, um orçamento previsto de R$ 9 bilhões, cifra que supera o orçamento anual de cidades inteiras como Guarulhos, uma das maiores do Estado.

Esse dado, por si só, já explica por que a corrida pela reitoria desperta tanta atenção além dos muros da universidade. Com tamanho fluxo de recursos, a USP opera praticamente como uma “cidade acadêmica”, com responsabilidades gigantescas e um impacto direto no desenvolvimento científico, tecnológico e cultural do país.

O orçamento é alimentado principalmente por repasses vinculados ao ICMS, e mais de 80% dele está comprometido com a folha de pagamento de professores, técnicos e aposentados. Em um momento em que o Brasil se prepara para a transição do sistema tributário, com o ICMS sendo substituído gradualmente pelo IBS até 2033, quem assumir o comando da USP terá pela frente decisões duras e estratégicas.

Enquanto isso, Guarulhos, terceira maior economia de São Paulo, tem um orçamento público estimado em cerca de R$ 6,5 bilhões para 2025. Ou seja: a maior universidade pública do Brasil opera com mais dinheiro que uma cidade inteira que abriga mais de 1,3 milhão de habitantes. Curioso? Sem dúvida. Mas também revelador sobre o papel das universidades estaduais na estrutura do Estado.

A eleição envolve três chapas e mobiliza a comunidade interna em consultas indicativas, antes de a escolha final ser realizada pela Assembleia Universitária, que enviará uma lista ao governador. Em jogo, temas urgentes como sustentabilidade financeira, internacionalização, inclusão, inovação, expansão de pesquisas e preservação da qualidade de ensino.

E há ainda um detalhe pouco falado, mas decisivo: as escolhas feitas pela nova reitoria terão influência direta em toda a política científica paulista. Em 2025, o governo estima repassar quase R$ 17 bilhões para USP, Unesp e Unicamp. É dinheiro suficiente para transformar laboratórios, construir hospitais universitários, financiar grupos de pesquisa e impactar setores inteiros da economia do Estado.

Por tudo isso, a eleição para reitor da USP nunca é apenas uma eleição universitária.
É uma disputa pelo comando de uma instituição que molda gerações, movimenta cifras de grandes cidades e ocupa um papel estratégico no futuro do Brasil. Uma eleição que, curiosamente, diz muito mais sobre o país do que sobre a própria academia.

Lúcio Zahoul. Abril de 2026

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