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Rap, hip hop Y otras cositas más

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Rap, hip hop Y otras cositas más

O ritmo mais popular da black music conquistou o mundo, criando verdadeiras lendas de um estilo que mostra a realidade nua e crua das ruas

No fim da década de 1960, no Bronx, pelas mãos do Dj Kevin Donovan (Afrika Bambaataa), nome de um antigo líder Zulu adotado por Donovan para seu pseudônimo, surge um dos maiores movimentos da música negra que, futuramente, influenciaria o mundo. Aqui, surge o hip hop. O estilo musical criado para ser o embaixador da cultura negra, mostrando de fato, como a vida é encarada nas ruas. Em uma tradução livre, hip hop significa “balançar o corpo” e, por meio desse balanço, foi que Bambaataa em contato com outros jovens resolve apaziguar a situação dos guetos nova-iorquinos, promovendo as “batalhas dançantes”.

Confira a entrevista com a nova cara do rap nacional: Rashid.

 

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foto: João Ricardo Rebouças

Rashid

Um dos novos talentos em maior ascensão da cena do rap nacional nasceu na capital paulista, na Zona Norte, em Lauzane Paulista. Michel Dias Costa, o Rashid – nome árabe que significa justo ou correto –, descobriu sua vocação para a música cedo, em um grupo de amigos, daqueles que segundo ele “têm 35 caras e ninguém sabe o que faz”. Mas, o processo evoluiu e o garoto cresceu e acompanhou a evolução. Fã assumido de Racionais MC’s, Rashid conta a experiência que viveu após ouvir “Sobrevivendo no inferno”, de 2004, disco que projetou ainda mais os rappers de São Paulo. “Foi o disco que mostrou o caminho para fazer música. Tive a honra de receber o convite do Brown para tocar na Black Bom Bom. Precisei segurar para não chorar de tanta emoção. Se eu começasse a chorar, o Brown iria me colocar para fora do palco”, lembra Rashid. De família religiosa, era proibido pela mãe de ouvir em casa rap com letras muito pesadas. Para não ficar sem o som sagrado de cada dia, escutava rap gospel, que nada mais é que uma legítima vertente da black music. Antes de ser Rashid, Michel Dias usava o pseudo “Moska”, até resolver mudar sua alcunha.

“Conforme o trabalho foi tomando maior projeção, precisava de um nome mais condizente. Todo mundo me dizia que tinha cara de árabe e, por isso, decidi mudar para Rashid”, explica. Com três discos lançados, “Hora de acordar”, “Dádiva & Dívida” e “Que assim seja”, o sucesso foi inevitável e consequência do trabalho. Hoje, ele brinca com a fama. “Outro dia as pessoas me esperavam na porta da escola para me bater, e agora querem tirar foto comigo”, conta.

Amigo de longa data do rapper “Projota”, Rashid conta como se conheceram e de que forma a amizade conseguiu unir os dois em prol do rap. “Conheço o Projota há 11 anos. Antigamente morava em Minas, na cidade de Lavras, e, na maioria das vezes, passava as férias em São Paulo. Nessas de ir e vir o conheci, e mantivemos nossa amizade firme até hoje”. Rashid caiu nas graças do público com um som original e com letras que contam suas histórias de vida e fatos cotidianos. “Faço música para todos os momentos, tanto para um dia de fossa quanto se estivesse com aquela adrenalina”, diz. Outro parceiro importante na carreira de Rashid é o Dj Caique. Segundo ele, 80% do trabalho dos discos (mixagem e produção) são feitos pelo Dj, além de ser o engenheiro de som durante as apresentações ao vivo.

Segundo o rapper, o público varia da faixa etária dos 11 aos 23 anos, e até mesmo crianças sabem as letras de cor. Durante um show, Rashid ficou surpreso ao ver os pequenos mandando sem errar suas rimas. “Quando perguntaram para um garotinho sobre o que ele mais gostava, respondeu que gostava de Rashid e Carrossel”, conta Rashid.

As influências do rapper vão de Nina Simone a Jay-Z e, a cada trabalho, Rashid enriquece seu ainda mais seu conhecimento musical. Para ele, o rap é o projeto social que nenhum político foi capaz de fazer. “Quando se faz rap se fala sem medo, a famosa ‘oreiada’”. “O rap me ensinou coisas na minha vida como me portar melhor nos lugares, me incentivou a ler livros e expandiu meus conhecimentos musicais”, conclui Rashid.

 

 




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