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Amir Slama: o mago dos biquínis

Entrevista

Amir Slama: o mago dos biquínis

Comemorando 30 anos de uma carreira de sucesso, Amir Slama conta um pouco da sua trajetória na indústria da moda, fala sobre sua breve incursão como empresário da noite e rebate jornalistas. Amir é formado em História, casado há mais de 32 anos e pai de dois filhos. Com uma simpatia enorme, ele recebeu a equipe da lounge* na sua loja na Oscar Freire para uma conversa descontraída e cheia de verdades. 

Você acabou de participar do SPFW N47. Há quantos anos está na semana de moda? 

Te juro que não sei, eu não conto direito. Eu sei que fiz meu primeiro desfile em 98 ou 97, na Semana de Moda do Rio de Janeiro. Eu queria apresentar meu trabalho aqui em São Paulo, no que ainda era o Morumbi Fashion, e havia uma dificuldade muito grande, porque os outros estilistas que participavam  não enxergavam a “praia” como uma moda, eles enxergavam como um acessório, uma lingerie, enfim… E minha proposta sempre foi de fazer uma moda na praia e pensar não só maiô e biquíni, mas que o jeito de se vestir no verão brasileiro se estendia da praia para a cidade. Esse conceito era uma coisa muito nova, você tinha algumas marcas que trabalhavam muito bem maiôs e biquínis, mas não tinham as roupas e os complementos. E isso foi uma coisa bem revolucionária que fiz e foi um sucesso na época.

Sua saída da Rosa Chá foi tranquila? Porque Rosa Chá virou praticamente seu sobrenome… Como foi essa transição?

Não foi muito tranquilo, não. Na realidade, eu cresci muito rápido. De repente eu estava com uma série de franquias, estava em Nova York, Istambul, Lisboa, Miami… E estava com um problema super sério que era ter uma produção eficiente. Eu cresci e não tinha uma produção condizente com aquilo que eu mostrava. Chegou um momento em que eu precisava de um parceiro que precisava fazer frente à produção e à logística para que eu pudesse ficar mais envolvido com a criatividade e comunicação. E aí recebi uma proposta de uma empresa do Sul, era uma coisa muito legal e muita moderna essa fusão. Só que depois de um ano e meio eu percebi que o prometido em relação à produção e à logística não acontecia. Comecei a perceber que eu não tinha feito uma fusão, mas uma venda. Aí me desfiz do restante e decidi não trabalhar mais com isso.

Então chegou a sair do mundo da moda?

Sim, fui trabalhar na noite. Foi uma coisa bem envolve, que me deixava relaxado de uma pressão que eu estava sofrendo e não entendia direito. Cheguei a trabalhar em três casas noturnas: Mokai, 3×4 e o Club A com o Amaury Júnior, mas sempre cuidando da parte criativa, nunca business. Quando me desliguei de tudo, a C&A me chamou para assinar uma coleção e de uma viraram três e comecei a me empolgar de novo.

Como é ter a liberdade de trabalhar da forma que você gosta?

É incrível. Justamente pelo momento que é novo também. Quando eu resolvi fazer o projeto da (marca) Amir Slama eu não queria fazer o que já tinha feito, queria algo diferenciado e novo. E percebi a necessidade do consumidor final querer ter um produto mais especial de um jeito muito particular. Então, propus coleções regulares, num primeiro momento não participava de semanas de moda, e, em paralelo, desenvolvia coleções com clientes. O cliente vinha aqui pedindo para desenvolver uma estampa, um vestido para um casamento na praia… Esse trabalho me surpreendeu um pouco, porque eu achava que quem ia procurar a customização seriam pessoas que estariam fora de forma, por exemplo. Mas não. Eram pessoas que tinham um corpo super bacana, mas que queriam ter algo customizado.

Com a marca Amir Slama você também firmou parcerias…

A Phebo me convidou para fazer uma linha de perfumaria logo no início, cada linha tem um desenvolvimento de um ano para ficar pronta, e acabamos de lançar uma nova: Matchá. Assino uma coleção com a Tok&Stock, de estamparia para móveis e para objetos de decoração e design. Também assino uma coleção com uma rede italiana, há 7 anos, chamada Yamamay, que tem 600 lojas.

Seu desfile do SPFW foi dividido em dois tempos, abrindo com a parceria com o Instituto Dona de Si, da atriz Suzana Pires…

Isso, eu conheço a Suzana há muitos anos e estavamos namorando a ideia de fazer uma pequena coleção e ele tem uma coisa muito forte com os bodys, algo que ela adora. Então decidimos criar uma coleção a quatro mãos com 10, 12 itens com a renda revertida para o Instituto Dona de Si, que cuida do empoderamento feminino de um jeito muito legal, focado em mulheres empreendedoras. E achei super oportuno apresentar isso no SPFW. Escolhemos fazer um quadro antes do desfile e apresentar com várias pessoas, de diversos biotipos, nossas peças.

O segundo tempo foi em comemoração aos seus 30 anos de carreira, né?

Exatamente, apagaram as luzes, mudou a música e começamos o desfile de fato, que tem referências na cultura tupi-guarani, nas missões jesuíticas do Sul do Brasil no período colonial… foi da onde eu bebi para fazer essa coleção que celebra os 30 anos. Procurei ter um pouco mais de brilho, pensando como se fossem redes de pesca, mas todas rebordadas e criando o conceito de pensar em uma cultura indígena, na raiz brasileira, mas de um jeito contemporâneo e moderno, sem mexer com penas, miçangas, enfim…

E justamente por essa divisão, algumas editoras e jornalistas de moda criticaram seu desfile, falando que modelos fora do padrão foram separados em blocos, e apontando até segregação. Como recebeu este tipo de crítica?

Na moda, há uma dificuldade muito grande de se aceitar as modelos, principalmente jornalistas ou imprensa que não são ligados à moda… Por que usamos uma modelo magra e alta ou um homem que tenha um pouco mais de forma física? para poder mostrar a roupa. Por exemplo, televisão e fotografia aumenta muito; então, se você tiver pessoas que estejam fora desse padrão, a roupa não aparece. A ideia é mostrar a roupa, eu não estou vendendo a modelo ou tipos físicos, estou vendo roupas que podem ser usadas do tamanho PP ao EG. Neste caso, a ideia foi colocar algumas pessoas com um biotipo diferenciado, mostrando que também podem usar minha roupa, todos podem, para quebrar esse paradigma da magreza. E de modo nenhum segregar! Eu acho que é uma coisa muito forte, muito racista, preconceituosa. Não é nada disso! 

lounge* – O que destaca de melhor em você mesmo?

Amir – Lutar muay thai! (risos)




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