• Revista lounge*

Revista lounge*

Especial + 15: Moda

Especial + 15: Moda

Revista lounge*

Especial + 15: Moda

O mercado da moda é sem dúvidas um dos mais rápidos no quesito modernização

Há quem pense que moda é algo fútil e sem sentido. Engano deles. A forma como as pessoas se vestem é uma maneira de se expressar extremamente própria e essencial. Ao longo da história, vimos as roupas quebrando muitos tabus, conceitos e pré-conceitos, principalmente em relação às mulheres.

Muitos estilistas passam meses pesquisando aspectos culturais e antropológicos para a criação de peças repletos de olhares e conceitos por trás, mas que poucos conseguem ver. Quando olhamos para o passado podemos enxergar a mudança gritante que aconteceu no mundo. Já imaginou se hoje em dia usássemos ternos, cartolas e espartilhos? Parece realmente coisa de outro planeta.

Além de ser um dos mercados que mais acompanha a evolução da sociedade e da tecnologia, a moda tem um papel fundamental na maneira das pessoas olharem para si mesmas e para o outro. Quem diz o que é belo e o que é feio? Após décadas seguindo padrões estipulados tais estereótipos vêm sendo questionados e quebrados.

E no futuro? Será que usaremos os macacões prateados vistos nos filmes de ficção científica? A resposta é, provavelmente, muito diferente do que a maioria imaginava.

André Hidalgo

Em 2009 criou o Fashion Mob, a primeira passeata de moda do país que acontece uma vez por ano no centro de São Paulo.

Jornalista, agitador cultural e empresário, André Hidalgo fundou a Casa de Criadores em 1997 com o intuito de revelar novos talentos da moda brasileira. Agora com 20 anos de existência, se consolidou como o principal evento propulsor do mercado.

Um dos expoentes do segmento no Brasil, Hidalgo está em constante contato com as novidades do mundo da moda e fala para a lounge* quais as tendências fashion para o futuro.

Moda e tecnologia

Eu acho que o futuro da moda não só brasileira, mas do mundo é investir em tecnologia, inclusive esse é um caminho que com certeza nós vamos começar a trilhar.”

Pode até não parecer, mas o mercado da moda anda lado a lado com a tecnologia. Seja no desenvolvimento de tecidos ou no design de produtos. Juntos, esses 2 segmentos prometem alterar as cadeias de produção da forma que consumimos.

Mudanças que parecem fazer parte de um futuro distante estão ali, virando a esquina bem diante dos nossos olhos. Autenticidade e consciência na hora de se vestir serão obrigatórias na moda nos anos que vêm pela frente.

Revolucionária em diversos meios, a impressão 3D também promete inovar a maneira de produzir roupas e já conquistou seu espaço em diversas marcas e empresas. Sua versatilidade e funcionalidade possibilitam criar peças diferenciadas e simplificar muitos processos. As aspirações futuras para essa técnica é ter um catálogo com dezenas de modelos de roupas com cores e estampas sem precedentes podendo ser personalizadas online e escolhidas com um clique.

As modelos e desfiles virtuais criados com avatares digitais podem ser produzidos com qualquer roupa que os programadores desejarem. Com movimentos e aparências de pessoas reais como os desenvolvidos pela Marvelous Designer, 3D Fashion Designer e CLO3D já possibilitam o acesso a essa tecnologia.

Tecidos que mudam de cor é outra tendência para o futuro. Enquanto nos dias de hoje somos apresentados as cores de cada estação, já existem pessoas estudando os avanços da tecnologia fotocromática, onde as roupas reagem ao ambiente. As peças mudariam de cor de acordo com a luz, correntes elétricas e ondas sonoras.

Na Austrália, pesquisadores têm trabalhado a partir de uma tela repelente a água feita com nanopolímeros com propriedades de auto-reparação. Isso quer dizer que ao sofrerem danos as roupas se auto-reparam e ainda repelem líquidos. Um revestimento especial que, quando danificado, se funde a uma temperatura muito baixa para selar a abertura e normalizar as propriedades à prova d’água.

 Macacões prateados?

 “Eu acho teremos cada vez mais opções de roupas, looks e estéticas que sejam de acordo com o nosso estilo de vida e nossas expectativas”.

Quando pensamos em moda do futuro sempre nos vem à mente as roupas usadas em filmes futuristas e de ficção científica. Todos vestidos iguais com macacões prateados e reluzentes, algo totalmente distante da nossa realidade.

Ao contrário do que a maioria pensa, as coisas não vão mudar tanto assim na maneira de nos vestirmos. Com uma infinita quebra de tabus que estamos passando, a moda está se tornando cada vez mais plural e inclusiva. “A moda plus size, por exemplo, não é mais uma coisa boring, ela é hoje em dia exuberante, mesmo que um número pequeno de estilistas faça isso. No futuro as pessoas vão ter opções, muitas opções”, comenta Hidalgo.

Além de inclusiva, o mercado se mostra cada vez mais consciente. Marcas que utilizam matéria-prima sustentável e mão de obra correta serão as de destaque futuramente. “Se eu quero usar uma roupa que não tenha sido feita por alguém que foi explorado e que seja bacana, descolada e que tenha conceito, que levante alguma bandeira ou que também não levante bandeira nenhuma eu posso”.

“Cada vez mais vamos buscando essas particularidades nas roupas muito de acordo com o que procuramos. Na verdade, nós sempre almejamos isso, mas não sabíamos. “

“Agora que o mercado está mudando e as opções estão surgindo, cada vez mais eu acho que a gente vai caminhar por esse lado e sempre olhando para uma conscientização maior do consumidor e dos estilistas de desenvolver peças e roupas que tenham e reflitam uma consciência ambiental, social, de uma forma sem ser chata ou panfletária, sendo orgânica”, releva. Tanto nas passarelas quanto nos eventos da Casa dos Criadores, a moda tem se mostrado uma plataforma para debater questões importantes para a sociedade como meio ambiente e política, porém tudo de forma contextualizada dentro da coleção de cada estilista.

Tendências

“Os esportivos vieram literalmente pra ficar. Você sai com uma roupa esportiva na rua e pode fazer todas as coisas que precisa fazer”.

Além das tendências na área de tecnologia fashion, Hidalgo também comenta sobre a versatilidade do look fitness que tomou conta do mercado e vai continuar firme e forte no guarda-roupa. “Eu acho que isso vai ficar cada vez mais evidente e não sei nem se é uma tendência, mas acho que ainda será muito consolidado na moda e é aonde a gente vê uma melhor pesquisa de tecnologia. São tecidos absurdos. Você compra uma roupa esportiva hoje e ela praticamente quase não precisa ser lavada mais. Tem uma duração muito maior, não desfia, te deixa confortável, ela facilita o seu dia a dia.”

Estilistas e modelos

Estilistas e modelos que eu acho que estarão em evidência nas próximas décadas são justamente os que fazem um trabalho mais autoral, isso sem dúvida”.

Existem marcas e modelos que gravaram seus nomes na história da moda. Coco Chanel e Gisele Bündchen são 2 exemplos de ícones que serão lembrados por muitas décadas ainda. Nos próximos 15 anos, vamos acompanhar mudanças radicais nesse mercado que é um dos mais ricos do mundo.

Cada vez mais, os consumidores buscam personalidade e autenticidade na hora de se vestir. Assim como outros segmentos, a cobrança de um olhar mais crítico e consciente cresce com o passar dos anos e as marcas e estilistas que vão nadarem a favor da maré ficarão para trás. “Hoje em dia tem marcas que abrem o preço, que você sabe quanto custou cada peça, quanto o estilista está tendo de lucro. Acho que a transparência, os estilistas que sejam transparentes e tenha verdade em seu trabalho, essas são as que terão destaque no futuro”.

Crucial na forma que as pessoas lidam com suas autoestimas, o segmento vem dando cada vez mais espaço a todos os padrões de beleza. “Em relação às modelos, acho que vai ficar cada vez mais plural, na verdade já é. Os padrões de beleza estão mudando muito e isso está indo para um caminho muito bacana, muito interessante que é democratizar a beleza, não ter um único padrão”, diz Hildalgo.

“Claro que a modelo alta e magra vai continuar linda e sendo usada na moda, mas além dela vai vir a plus size, a mais baixinha ou com características especificas. O padrão de beleza está se tornando tão aberto e elástico e isso é muito bom, porque isso impacta diretamente na autoestima e o papel da moda é esse, também fazer com que as pessoas se aceitem cada vez mais.”

Créditos: Pedro Pinheiro

Redes: /andrehidalgo.01

@andrehidalgo

Este slideshow necessita de JavaScript.




Continue Lendo
Você pode gostar...
Clique para comentar

Leave a Reply

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Mais em Revista lounge*

To Top