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Especial + 15: Gastronomia

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Especial + 15: Gastronomia

Seja no passado, presente ou futuro, a gastronomia sempre falou muito sobre o momento que vivemos

Se existe uma da coisa no nosso dia a dia que reflete a mudança na rotina do ser humano com o passar do tempo é a maneira de se alimentar. Os homens das cavernas caçavam seu próprio alimento, muitas vezes ingerido cru. Com a descoberta do fogo passamos a cozinhar e logo vieram novas formas de temperos, especiarias, uma verdadeira alquimia gastronômica foi surgindo.

Cada país, até nos dias de hoje, possui sua maneira particular de comer. Tudo foi e ainda é influenciado pelos recursos naturais que cada região disponibiliza, se o clima é quente ou frio, quais as necessidades que o corpo pede de acordo com o meio em que se vive.

A tecnologia foi avançando através dos séculos e cozinhar ficou cada vez mais fácil e mais rápido. Ao contrário do que se esperava, passamos a nos alimentar de maneira menos saudável desperdiçando os nutrientes provenientes da natureza.

Demorou, mas o ser humano está tomando consciência do quão nocivo é o jeito que viemos lidando com os alimentos. Refeições leves e nutritivas estão voltando as mesas aos poucos resgatando de forma atual a nossa relação com a comida.

Quando pensamos na comida do futuro o que enxergamos? Teremos os mesmos recursos de hoje? Profissionais do ramo deram suas opiniões a respeito do assunto.

A culinária + 15 segundo Vinicius Rojo

Com 14 anos de experiência na área gastronômica, o chef Vinicius Rojo traz suas raízes espanholas para seus pratos. Com uma culinária de espírito jovem e cheia de personalidade, ele acredita que o tradicional pode ganhar uma roupagem moderna a exclusiva.

Um dos nomes promessa para o mercado, Vinicius possui suas marcas próprias que garantas sabor, textura e memória a cada garfada. Rojo Gourmet, Bun e Vinicius Rojo são os selos que carregam sua trajetória que promete fazer ainda muito sucesso, principalmente no segmento de eventos.

A Revista lounge* bateu um papo com o chef para saber qual a sua visão para o futuro de um dos segmentos mais importantes da sociedade.

Ainda na sua adolescência profissional, Rojo tem um longo caminho de aprendizado pela frente. Isso lhe dá tempo e olhar para acompanhar as mudanças que já aconteceram e as que estão por vir no mundo gastronômico. Para ele, a culinária saudável, que já vem ganhando boa parte da fatia do mercado, só tende a abocanhar ainda mais o jeito das pessoas se alimentarem.

“Acredito que o futuro da gastronomia está caminhando para a sustentabilidade e ingredientes saudáveis. Esse movimento se iniciou há poucos anos, mas vem ganhando força porque nosso planeta precisa disso. Valorizar produtores que cultivam alimentos orgânicos, tenham rastreabilidade e respeite os trabalhadores”, avalia.

“Produção sustentável acredito que seja praticamente obrigatório em um futuro próximo. As grandes indústrias terão que se adaptar também. Quem não se preparar para produção ecologicamente correta sofrerá forte retaliação dos consumidores.”

Produção sustentável

Entendida como a incorporação de todo o ciclo de vida entre bens e serviços, engloba as melhores alternativas para minimizar os impactos tanto ambientais quanto sociais. Acredita-se que esses meios reduzem também os riscos à saúde e geram efeitos econômicos positivos.

A produção sustentável vista de forma global, incorpora noções de limites na oferta de recursos naturais e na capacidade da natureza de absorver os danos causados pela humanidade. Menos emissões de gases de efeito estufa, novas formas de energia e respeito pelos ciclos naturais de cada produto são alguns dos benefícios que a sustentabilidade pode nos trazer futuramente.

Os consumidores vêm cobrando com mais ferocidade o comprometimento de empresas, produtores, chefs e restaurantes ações ecologicamente correta. É uma mudança no padrão de pensamento coletivo que vai ditar o que permanece e o que tem os dias contados.

Produtos orgânicos

“Produtos orgânicos ainda custam mais caro, mas daqui a 15 anos (ou menos!) os preços vão diminuir porque será algo imprescindível em nossas vidas”.

Atualmente considerados elitizados, o número de produtores orgânicos crescem a cada dia e seus consumidores também. A partir do momento que mais pessoas se dispõem a plantar alimentos livres de agrotóxicos e altamente nutritivos.

Cultivados a partir de sistemas como compostagem, adubação verde, o manejo orgânico não agride a natureza e mantém a vida do solo intacta.

Com sabores diferentes dos alimentos que sofrem interferência química, os orgânicos possuem cerca de 20% a menos de água em sua composição. Isso significa que seus nutrientes estão mais concentrados quando comparados aos convencionais.

E não são apenas as frutas e legumes que sofrem com venenos e pesticidas, peixes, gado e outros animais que consomem a água da irrigação das plantações também são veículos para que os venenos cheguem até a nossa mesa.

“O mundo está começando a entender mais sobre a importância desse consumo consciente. Essa história de desmatamento está com os dias contados, é crime gravíssimo e a Terra está pedindo socorro. Sou otimista!”

O prazer de comer

O jeito que levamos uma rotina acelerada e cheia de compromissos nos impede de desfrutar das refeições ao lado de quem amamos como antigamente. Os fast foods estão ai e são a prova de como a qualidade do ato de se alimentar se degradou com o passar dos anos não só em seu aspecto nutritivo, mas também social.

“Eu mesmo sou um bom exemplo para essa questão. Trabalho diariamente com minha equipe preparando comida gostosa para milhares de pessoas, na correria dos eventos, muitas vezes não tenho tempo para almoçar com calma, sentado e compartilhando bons momentos com as pessoas”, confessa.

“Momentos maravilhosos em uma mesa, compartilhando alimentos saudáveis com bons amigos, com a família, tendem a ser cada vez mais raros.”

A escassez de alimentos

“Não vai faltar comida no mundo nas próximas décadas, mas a natureza nos dá claros sinais de que precisamos urgentemente melhorar nossos hábitos alimentares e métodos de cultivo”

Há muito vem se falando sobre o fim de recursos naturais que o planeta tem para nos oferecer, mas existem aqueles que ainda não creem que essa não é uma possibilidade 100% descartada. Mesmo em pleno século XXI, ainda não distribuímos os alimentos de forma igualitária.

A produção de comida, segundo um estudo publicado pela ONU em 2016 mostrou que a produção mundial é suficiente para nutrir 7,3 bilhões de pessoas. Apesar disso, ainda 1 em cada 9 pessoas ainda vive a realidade da miséria.

O tema é ainda um dos mais polêmicos na agenda internacional. A questão já é tão antiga quanto complexa e se conecta com muitos aspectos políticos, econômicos e ambientais.

Segundo Rojo, os estabelecimentos podem e devem fazer a sua parte para evitar que a situação se agrave futuramente. “Algumas bases de “bancos de alimentos” que irão coletar comida e ingredientes aptos para consumo humano mas que seriam jogados no lixo por restaurantes, buffets, residências. Esse alimento pode ser processado e servido no local, ou distribuído para aqueles que necessitam.”

“A nossa conscientização de consumo de alimentos sustentáveis e com procedência tem que começar com cada um de nós, não esperar que os líderes políticos façam algo pelo planeta.”

Fotos das comidas: Katia Arantes

Redes: /rojogastronomia

@rojogastronomia

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